CHUTE MIDIA ! !

CHUTE MIDIA não é produto, é processo.

Construção de "À Morta" colocado no digital virtual para comunicação e compartilhamento.

No primeiro numero: video vivo Colar Truncado Memória de Beatriz.

Em breve um ponto de venda perto de vc...!


domingo, 26 de outubro de 2008

Revista Chute III

Ficou pronta nesse sábado, dia 18/10/2008 o terceiro número da revista proposta e editada pelo movimento Dulcynelândia - Revista Chute, que será lançada no 6º Chute, dia 02/11/2008, dia dos mortos, dia mexicano dos mortos, dia de festa.
Mantendo o formato do segundo número, a revista tem 32 páginas, xerocadas, capa de papelão pintada à stencil, formato 14x21cm e costura à barbante. O custo médio de produção por revista é de R$ 0,96 se descartados custos de corte, pintura e costura. Os autores publicados não são pagos e contribuem para e com a revista propondo obras sem restrição prévia. O conteúdo só é cortado se as contribuições ultrapassarem o número de páginas pré-estipulado, o que ainda não aconteceu.
Vai aí mostra grátis:

Um dia seremos abortados, técnica mista. Bruno Zagri publica em http://www.flickr.com/photos/brunozagri

.

Esse número é o primeiro com alguma unidade de diagramação e design, posto que os trabalhos entregues o foram em sua maioria feitos digitalmente, diferente dos números I e II onde grande parte das páginas foi entregue pronta para ser colocada na matriz para xerox. Deu-se prioridade para uma diagramação limpa e pouco variada, aproximando-se o produto final mais com um livro do que com a revista quase interativa que é hoje padrão.

Integram seu conteúdo tirinhas, poemas, contos, micro ensaios, textos políticos e artes visuais de artistas de diversos estados do país.

Ainda não sabemos o fim da coisa, mas sobre ela basta-nos para o agora vivê-la.
Fundamentos e outros do gênero foram escritos em http://revistachute.blogspot.com em agosto de 2008 e publicados na Revista Chute II sob o título de Saiba sobre e faça junto, acompanhe a conversa.

.

.

Lá vai outra. Conto publicado na Revista Chute III em primeira mão.


Estou no Flamengo e de repente as palavras perdem significado, não sei mais o que significa "de repente", talvez por isso tenha começado o texto me localizando no espaço: "estou no Flamengo" e depois uma palavra da qual exprime uma sensação - a de não saber localizar-se no significado - "de repente". Talvez seja a fome. A mão tremida, uma leve cólica e as pernas cansadas. Eu tinha então exatos um real e cinquenta centavos, tentei sim me situar à minha fome estomacal e fome de lucidez. Apesar disso fui ao Cine Paissandu e não resisti: comprei um ingresso para a "A grande ilusão" de Jean Renoir. Por quê? Será mero estímulo consumista burguês? Confesso que assim que comprei o ingresso me arrependi, depois pensei: "foda-se". Também penso que é mais fácil que eu conheça alguém que me alimente, com cerveja e alma, que faça uma boa história. E... De qualquer forma, sou uma assalariada. A minha fome de arte é suicida, vai até onde o corpo aguenta. E é o último dia do Cine Paissandu. Talvez eu queira sentir um pouco daquele ar sessentista, tanto é que estou num restaurante vizinho onde a galera costumava beber. Ps: "estou" de corpo presente, sem consumir nada, apenas escrevendo este texto com devaneios de cheiros vindos da cozinha. A mão está mais ágil agora, como a de uma velha pensante. Então: tomei decisões difíceis, todo mundo toma. Sem elas eu não estaria aqui. A escrever, a divagar dentro do meu próprio vazio, a esperar por um filme, não sei mais o que é, só sei o existir. A questão é justamente essa: não há entendimento ou explicação [símbolo], há o existir? O viver dentro da gaiola da Liberdade, onde cedemos para ter nossos desejos existentes. Pensar que vamos saber, simplesmente porque temos uma linguagem desenvolvida... Não, ainda somos tão animais quanto o cachorro de Clarisse. E somos tão reflexos de reflexão que sentimos o ser, não mais como ilusão alienada, mas como responsabilidade, por vezes, vazio - a dita má-fé -, sempre, às vezes, é bom repetir velhos lemas. Não mais estou confusa. Não mais sinto angústia. Sinto cheiro de comida e lembro que não tomei banho hoje.

Raísa Inocêncio,
é de Fortaleza, radicada no Rio de Janeiro atualmente, estuda Filosofia e publica em http://opao.blogspot.com

Saiba Sobre e faça junto!

A revista Chute é só mais uma Coisa. Que se propõe a ser Coisa mesmo. No sentido de ter corpo, peso, volume e ocupar espaço do espaço no qual nos propomos a existir. Já quase não existem Coisas. Chute é um apelo a reconstrução dos objetos, objetos reais, funcionais para a criação e manutenção de experiências e situações. A revista é um passo no sentido em que no passado os situacionistas, os guerrilheiros da arte, a turma da fenomenologia, os modernos dadás brasilindos e, hoje, nós acreditamos na serventia, na utilidade, na existência de uma Coisa: As coisas existem para ser o fruto concreto de Coisas não palpáveis, elas existem para ser o convite visível a uma proposta, a uma postura. A revista é um chamado ao diverso ininterrupto, lúdico e combativo.

Com ela o Movimento Dulcynelândia propõe estabelecer uma conversa, que não precisa terminar, e nem pretende convencer ninguém de nada, mas sim fazer um elo, fazer uma teia que nos aproxime na jornada pela discussão dos caminhos a fazer.

O modelo editorial é um empréstimo do que foi o Almanaque Biotônico Vitalidade, elaborado pela Nuvem Cigana na segunda metade nos anos setenta no Rio de Janeiro, onde cada participante artista da silva contribui com uma página, uma página com o que quiser, sem qualquer unidade de estética ou formal necessária com o resto da revista. Meia folha pra cada. Você entrega, eu colo e reproduzo. O perfil pouco sistemático foi pensado em função da promoção da diversidade da arte, do debate, do pensamento com que convivemos e com que queremos continuar convivendo: Quem tem hegemonia de posição é para partido centralizado. E isso não, isso, meu caro, é uma Zona Autônoma.

Contribua para a revista. Envie sua meia a4, 14x21cm, já pronta para ser uma página da revista, com ou sem identificação para dulcynelandia@gmail.com assunto: REVISTA CHUTE ou marque por email uma data para nos entregar, caso o material não seja digital.

Façamos Coisas juntos!